Solta rolava a conversa entre as duas amigas. Uma
delas, jovem ainda pela minha estimativa, comentava o seu recente rompimento
com o companheiro com quem vivia havia poucos anos. Discorria que era a sua
segunda separação. Falava disso com a maior naturalidade, sem demonstrar
abatimento ou embaraço. A sua condição lhe parecia tão natural que confidenciou
à amiga que já estava de namorado novo! A desenvoltura com que as duas
conversavam me deixou, confesso, perplexo. É verdade, recentes noticiários
confirmam o aumento do número de separações e divórcios. Amplo e complicado é o
assunto para ser esgotado em poucas linhas. Cada caso de separação é diferente
e único. Torna-se, portanto, temerário e injusto querer julgar precipitadamente
e de uma forma linear todas as situações de separação. O contato diário com
casais mostra que alguns rompimentos são mesmo inevitáveis. Uniões há
impossíveis de ser mantidas. Por outro lado, é preciso reconhecer, acontecem
rompimentos precipitados e levianos.
Observa-se, com alarmante preocupação, a plácida
aceitação da mentalidade divorcista. O relacionamento entre as pessoas está
pautado pela cultura do descartável predominante. No comércio, qualquer
mercadoria merece apreço enquanto for útil. Vencido o período funcional,
troca-se de produto. Muitos sequer se dão ao trabalho de tentar o conserto.
Preferem comprar logo um modelo novo. Dizem os entendidos, que os produtos são
feitos hoje para durar pouco. Lamentavelmente, é esta a mentalidade que regula
e pauta as relações amorosas hodiernas. Quando o companheiro (a) começa a
apresentar defeitos e limitações, algo inevitável entre seres humanos, ao invés
de sentar e conversar para tentar corrigir falhas e ajustar rumos, prefere-se o
atalho mais comum, decide-se que não dá mais, que é preciso dar um tempo.
O casamento está encarado mais como uma aventura
arriscada do que como uma opção de vida. É este um dos motivos mais sérios na atual
crise que atinge o matrimônio. Sabe-se, o convívio humano é difícil. São
pessoas com vidas e históricos diversos que têm que se ajustar a um mesmo
compasso, sem perder a grandeza da individualidade. Interesses e hábitos
conflitivos, se não forem prudentemente administrados, ameaçam a sempre
delicada harmonia. Há ainda as limitações de caráter inerentes à condição
humana e que esticam ao limite a paciência e a tolerância do companheiro
(a). Compreende-se, não basta só gostar para casar! É preciso ter claro
ser esta uma opção de vida, assumida com todas as consequências e desafios.
Quando ainda se entende que é Deus quem chama este casal para o casamento com o
objetivo de revelar ao mundo quanto é fiel e constante o amor que o Pai do céu
guarda por todos, passa-se a empenhar-se para construir uma união sólida
e harmoniosa, capaz de corrigir e superar os constantes contratempos e revezes.
O casal cristão é chamado para testemunhar a fidelidade do amor de Deus.
Casamento é vocação, não loteria. Casamento é
escolha consciente e responsável, não uma aventura leviana. Casamento é uma
jornada, lenta, persistente, mas profundamente prazerosa, rumo à felicidade, na
companhia de uma pessoa que se escolheu amar com fidelidade e dedicação. E sem
prazo de vencimento.